Uma investigação artística e ecológica sobre imagem, memória e regeneração, realizada através de fotografias, cartas e sementes em circulação.
Samai é um projeto artístico que nasce da Mata Atlântica e atravessa diferentes territórios do Brasil através de imagens, cartas e sementes.
As imagens são produzidas com materiais naturais e processos fotográficos alternativos expostos ao sol. Cada envio reúne uma fotografia, uma carta escrita à mão e uma semente de espécie nativa ameaçada.
Entre deslocamentos, perdas e germinações, o projeto cria pequenos percursos de circulação entre paisagens, pessoas e territórios.
Ver as espéciesSamai é uma palavra do povo Inga que pode ser traduzida como alento. Tudo carrega seu próprio samai: corpos, lugares, sementes, objetos e paisagens. Samai permanece nas coisas, circula entre os seres e continua atravessando aquilo que vive.
No projeto, Samai dá nome a esse movimento de circulação entre imagens, cartas, sementes e territórios.
Cada imagem carrega a presença de uma árvore ameaçada e segue acompanhada por uma carta e uma semente. O envio transforma a memória da perda em um gesto concreto de cuidado, onde imagem, palavra e semente podem encontrar a terra e abrir caminho para uma nova germinação.
Ver as cartasAlgumas sementes poderão germinar, outras não. Algumas cartas serão abertas, outras esquecidas ou perdidas. Essa ausência de controle se relaciona diretamente com os processos naturais e com a própria fragilidade ecológica contemporânea.
Ver a galeriaAs imagens são produzidas em papel de cânhamo, a partir de materiais e escolhas gráficas de menor impacto ambiental. Elas apresentam árvores ameaçadas, como a imbuia, a araucária, o palmito-juçara e outras espécies nativas em risco. Cada envio reúne três elementos separados: a imagem, uma carta explicativa e uma semente.
Espécies ameaçadas da Mata Atlântica formam o núcleo inicial do arquivo fotográfico e das sementes em circulação.
Os dados de conservação usados nesta página tomam como referência a Lista Nacional Oficial de Espécies da Flora Brasileira Ameaçadas de Extinção, atualizada pela Portaria MMA nº 148/2022, além de estudos recentes sobre árvores da Mata Atlântica. Um levantamento publicado na revista Science em 2024 indicou que cerca de 65% das espécies arbóreas da Mata Atlântica e 82% das espécies endêmicas avaliadas foram classificadas como ameaçadas.
Árvore nativa e característica da Floresta Ombrófila Mista, profundamente associada às paisagens do sul do Brasil. Pode viver por muitos séculos e carrega em sua madeira a memória lenta da floresta. Foi intensamente explorada pela qualidade de sua madeira e hoje enfrenta dificuldades de regeneração natural.
Em perigoÍcone da paisagem sulista e da Floresta Ombrófila Mista. Sua presença atravessa territórios, culturas alimentares, memórias indígenas e ecologias de altitude. A espécie sofreu forte redução histórica pela exploração madeireira e pela perda de habitat.
Em perigoPalmeira nativa da Mata Atlântica, essencial para aves e outros animais que se alimentam de seus frutos. A extração predatória do palmito levou à morte de muitos indivíduos adultos e reduziu populações inteiras ao longo de sua área de ocorrência.
VulnerávelÁrvore nativa da Mata Atlântica, conhecida pelo aroma de sua madeira e de seus óleos essenciais. Foi muito explorada no passado e hoje permanece ameaçada pela perda de habitat e pela pressão histórica sobre suas populações naturais.
Em perigoUma das grandes árvores da Mata Atlântica, associada à longevidade, grande porte e presença monumental na floresta. Sua redução está ligada à perda de áreas florestais e à exploração de madeira ao longo do tempo.
Em perigoO catálogo cresce com a circulação do projeto. Cada carta enviada pode levar uma imagem diferente, uma semente específica e um gesto de cuidado. Algumas espécies entram pelo risco de extinção; outras, pela relação com memória, território, alimento, regeneração e cultura.
Em expansãoCada carta carrega uma imagem, uma semente e um pequeno texto explicando o projeto.
As cartas são enviadas para pessoas conhecidas em diferentes estados do Brasil. Cada pessoa recebe uma carta para si e outra para deixar em algum lugar de circulação: um café, uma biblioteca, uma universidade, um centro cultural ou outro espaço onde alguém possa encontrá-la por acaso.
A partir desse momento, a carta deixa de ter destino certo. Ela pode ser levada por uma pessoa desconhecida, pode ser plantada, guardada, esquecida ou compartilhada. O que acontece depois faz parte da obra.
Um arquivo visual em expansão. Envie suas fotos e vídeos para fazer parte deste registro vivo.
Você plantou uma semente? Fotografou uma germinação? Compartilhe com o arquivo.
Enviar foto ou vídeo"A obra continua em cada deslocamento, em cada broto, em cada carta encontrada, esquecida ou plantada."Samai · Sementes em Circulação
O arquivo vivo acompanha a circulação das cartas pelo Brasil. Cada carta enviada ou deixada em um espaço de circulação pode aparecer no mapa com sua cidade, estado, data aproximada e espécie enviada.
Quando alguém compartilha uma foto da carta, da semente ou da germinação, esse registro passa a fazer parte do arquivo do projeto. O mapa reúne os lugares por onde as cartas passam, as espécies em circulação, as germinações registradas e também os silêncios: cartas que seguiram sem resposta, sementes que talvez tenham sido plantadas, esquecidas ou guardadas.
Mais do que documentar resultados, este arquivo acompanha deslocamentos, esperas e possibilidades.
As primeiras cartas começam a circular em breve. Os pontos no mapa serão atualizados conforme as cartas forem enviadas e respondidas.
Se você encontrou uma de nossas cartas, quer enviar uma foto de germinação, participar como colaborador ou simplesmente saber mais sobre o projeto — entre em contato.