
Ipê-amarelo
Handroanthus chrysotrichus
Floração dourada antes das folhas, entre julho e setembro. Essencial para abelhas e beija-flores na estação seca. Sementes aladas: plantar logo após a coleta, pois perdem viabilidade rápido.
Arte, ecologia e correspondência
Uma investigação artística e ecológica sobre imagem, memória e regeneração, realizada através de fotografias, cartas e sementes em circulação.
Samai nasce na Mata Atlântica e se espalha pelos outros biomas do Brasil por meio de envios postais que ativam redes de itinerância e germinação.
Cada envio reúne três coisas: uma imagem feita de planta e sol, uma carta escrita à mão e sementes de espécies nativas. Aqui a fotografia deixa de ser arquivo e passa a ser matéria viva.
O nome
Samai é uma palavra do povo Inga que pode ser traduzida como alento. Tudo carrega seu próprio samai: corpos, lugares, sementes, objetos e paisagens.
Samai permanece nas coisas, circula entre os seres e continua atravessando aquilo que vive. E para receber o que circula no projeto, a pessoa também precisa estar em samai — aberta ao encontro e à troca. É essa abertura que dá nome ao trabalho.
Trabalho com a antotipia: tintas de beterraba, espinafre, cúrcuma e outras plantas ficam expostas ao sol durante horas sobre papel de cânhamo.
A luz come o pigmento onde a folha não cobre, e a imagem nasce ao desaparecer. Processos fotográficos de baixo impacto, feitos de planta e tempo.
Espécies ameaçadas da Mata Atlântica formam o núcleo do arquivo. Cada uma aparece numa antotipia feita artesanalmente e segue viagem junto com uma carta e uma semente.
Um levantamento publicado na revista Science em 2024 indicou que cerca de 65% das espécies arbóreas da Mata Atlântica e 82% das espécies endêmicas avaliadas foram classificadas como ameaçadas.
Estas são as espécies cujas sementes estão sendo enviadas junto com as cartas. Cada semente acompanha um QR Code que leva a uma página com instruções detalhadas de como plantar, cuidar e entender por que cada árvore importa.
Escaneie o QR que acompanha a semente ou clique em cada espécie abaixo para acessar o guia completo de plantio.

Handroanthus chrysotrichus
Floração dourada antes das folhas, entre julho e setembro. Essencial para abelhas e beija-flores na estação seca. Sementes aladas: plantar logo após a coleta, pois perdem viabilidade rápido.

Handroanthus impetiginosus
Árvore símbolo do Brasil, de floração roxa intensa na estação seca. Sementes aladas viáveis por 3–6 meses se bem armazenadas; germinação em 10 a 20 dias.

Psidium cattleianum
Arbusto da família da goiaba, nativo da restinga. Frutos muito apreciados por aves e fauna. Sementes de frutos maduros, plantadas logo: germinação em 15–30 dias.

Cedrela fissilis
Grande árvore da Mata Atlântica, de madeira aromática rosada, muito explorada ao longo dos séculos. Sementes aladas de viabilidade curta: plantar em até 30 dias. Germinação em 10 a 20 dias.

Peltophorum dubium
Leguminosa fixadora de nitrogênio que enriquece solos degradados. Floração amarela entre novembro e fevereiro. Sementes de testa dura: escarificação obrigatória para quebrar a dormência.
Um envelope que se desfaz no mundo. Cada envio carrega três coisas que viajam juntas e se separam de quem as fez.
Antotipia de baixo impacto, feita de planta e sol, que vai continuar mudando.
Escrita à mão, um convite ao encontro e à espera.
Nativa, com QR para reconhecer a espécie e aprender a plantar.
Somos seres dentro de teias ecológicas e não fora delas. Paisagens multiespécies são necessárias para sermos humanos. Anna Tsing · Viver nas ruínas
Um arquivo visual em expansão — os processos com pigmento, sol e papel de cânhamo, e as antotipias das árvores ameaçadas.
Nenhuma antotipia é definitiva: continuam mudando depois de prontas. Faço do desvanecimento o assunto — a imperfeição, a finitude e a passagem do tempo. Estas imagens não funcionaram como eu esperava: é nelas que o acaso mais aparece.
De Florianópolis, as sementes viajam. Em algumas mãos já brotaram; outras ainda dormem na terra ou no caminho. O mapa cresce conforme o projeto encontra pessoas, e guarda lugar para o que talvez nunca se saiba.
A semente foi plantada e brotou. O gesto se completou em outra terra.
A semente já viajou e dorme na terra ou no caminho. Aguarda o seu tempo.
Uma carta foi deixada em público, na universidade, à espera de quem a encontre. Não sei quem encontra, se germina, se volta. Esse não-saber também é a obra.
Depois que sai das minhas mãos, o projeto vira outra coisa. Não documento a obra acabada — documento os deslocamentos, as esperas e as brotações.
Quando alguém encontra uma carta, fotografa a semente ou registra uma germinação, esse gesto passa a fazer parte do projeto. O arquivo cresce com cada participação.
Por enquanto, estes espaços estão em branco, como sementes que ainda não germinaram. Esperam os registros de quem encontrar as cartas pelo caminho.
semente em espera
semente em espera
semente em espera
semente em espera
Se você encontrou uma de nossas cartas, quer enviar uma foto de germinação ou simplesmente saber mais — entre em contato. Aceitar o tempo demorado de uma semente é uma forma de resistir à urgência. Aqui, esperar é o trabalho.
ecosamai@gmail.com