Espécie 08 · Euphorbiaceae Nativa · Mata Atlântica

Alchornea glandulosa

Tamanqueiro
Sobre a espécie

O tamanqueiro é uma árvore pioneira da família Euphorbiaceae, nativa do sudeste e sul do Brasil (de Minas Gerais ao Rio Grande do Sul), que cresce preferencialmente em mata ciliar, às margens de rios e córregos. Atinge de 10 a 20 metros de altura, com tronco e ramos tortuosos. É essencialmente perenifólia, mas nos meses de verão troca folhas de modo mais acentuado. Reconhece-se facilmente pelas folhas recurvadas, que dão à árvore um aspecto de "planta murcha", e por glândulas conspícuas na base das folhas. É uma espécie dioica, de crescimento rápido. Seus frutos pequenos, ao amadurecerem, expõem sementes de cor vermelha muito atrativas para a fauna. Recebe muitos nomes regionais: tanheiro, tapiá, iricurana, boleiro, urucurana, entre outros.

Como plantar
  1. Semear as sementes (ou os próprios frutos maduros) logo após a colheita, pois não toleram secagem e perdem rapidamente a viabilidade.
  2. Usar canteiros ou recipientes com substrato órgano-argiloso, mantidos a pleno sol.
  3. Como as sementes são pequenas, cobri-las apenas com uma fina camada de substrato — sem enterrar fundo. Irrigar diariamente, mantendo a umidade constante.
  4. A taxa de germinação costuma ser baixa, por isso convém semear em quantidade. Tenha paciência: a germinação pode ser irregular.
  5. Transplantar as mudas quando atingirem cerca de 15–30 cm. No campo, o desenvolvimento das plantas é bastante rápido.
  6. Levar ao local definitivo a pleno sol, preferencialmente em margens de cursos d'água ou áreas úmidas — é espécie típica de mata ciliar e tolera solos encharcados e inundações temporárias. Por ser dioica, plante vários exemplares para garantir a frutificação.
Para que serve
Ecossistema: os frutos vermelhos atraem fortemente a avifauna e o macaco-bugio, que consomem o arilo vermelho das sementes; a árvore funciona também como poleiro para aves dispersoras. É ainda uma espécie melífera, fonte de recurso para abelhas.
Restauração de matas ciliares: recomendada para a restauração de matas de beira de rio, com ou sem inundação, e para a recomposição de mata nativa. Pioneira de crescimento rápido, é indispensável em reflorestamentos.
Recuperação de áreas degradadas: por tolerar solos úmidos e crescer rápido, ajuda a estabilizar margens e a iniciar a sucessão ecológica em áreas perturbadas.
Madeira e estudos fitoquímicos: madeira leve e macia, de fácil trabalho. A espécie é objeto de pesquisas científicas sobre compostos (alcaloides) de interesse farmacológico — usos em estudo, não comprovados como tratamento.
Fontes: Flora e Funga do Brasil (Jardim Botânico do Rio de Janeiro); Catálogo de Plantas e Fungos do Brasil (vol. 2); Secco, R. de S. & Giulietti, A. M. — Sinopse das espécies de Alchornea; Pascotto, M. C. (2006) — dispersão de sementes por aves. Observação: a época de floração e frutificação varia entre regiões e fontes (registros entre setembro–dezembro e janeiro–fevereiro). As instruções de plantio seguem orientações de germinação para a espécie e manuais de produção de mudas nativas.

Outras espécies em circulação

Ipê-amareloH. chrysotrichus Ipê-roxoH. impetiginosus AraçáP. cattleianum Cedro-rosaC. fissilis CanafístulaP. dubium Embaúba-prateadaC. hololeuca FigueiraF. cestrifolia TamanqueiroA. glandulosa